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08/05/2020

FAMÍLIA NÃO CONSEGUE ENTERRAR HOMEM ENCONTRADO MORTO COM PANCADA NA CABEÇA NO RN PORQUE ELE TINHA SUSPEITA DE COVID-19




Cadáver de Ednaldo Silva dos Santos foi encontrado nesta quinta-feira (7) na sala da residência em que morava.
Ednaldo Silva dos Santos tinha 54 anos tinha suspeita de Covid-19 e foi encontrado morto com pancada na cabeça em Natal — Foto: Arquivo da família
Mais de 12h depois de encontrar Ednaldo Silva dos Santos, de 54 anos, morto dentro da própria casa, a família dele ainda não conseguiu enterrar o corpo. Com suspeita de Covid-19, o homem aguardava o resultado do exame para a confirmação do quadro. No entanto, na noite desta quinta-feira (7), Ednaldo foi encontrado morto com uma pancada na cabeça, na sala do imóvel em que morava, na Zona Norte de Natal.
Por causa da suspeita de ter contraído o novo coronavírus, o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) não realizou os procedimentos periciais no cadáver. Como não se sabe se a morte foi acidental, ou se foi um assassinato, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) também não examinou o corpo, que está em um carro de funerária, na frente do Itep, já em estado de decomposição.
O sobrinho de Ednaldo, José Adilson dos Santos, foi o primeiro parente a chegar na residência do tio. “Eu estava com meu avô no hospital, que também tem suspeita de Covid, quando soube da notícia”, relembra.
José Adilson conta que, quando chegou ao imóvel, a polícia e o Itep estavam no local. Questionado por um perito sobre as condições de saúde de Ednaldo, José Adilson informou sobre a suspeita de Covid-19.
“Ele soltou a perna do meu tio e disse que não levariam o corpo. Disse para eu procurar uma funerária e levar ele para o SVO, que o caso não era com o Itep. Acreditei e assim o fiz”.
O corpo de Ednaldo dos Santos passou a noite trancado na casa. “Estimaram que faziam um dia e meio que já estava lá, por causa do estado de decomposição. E lá ficou mais uma noite”, relata o sobrinho.
No amanhecer desta sexta (8), os familiares contrataram uma funerária, que levou o cadáver até o Serviço de Verificação de Óbito. Após mostrar as fotos que ele mesmo fez, José Adilson foi informado de que, por haver muito sangue na cena, podia ser que seu tio não tivesse caído. “Disseram que alguém podia ter batido com alguma coisa na cabeça dele” acrescenta.
O sobrinho então foi orientado a procurar a Polícia Civil. “Fui na 12ª DP e o delegado, depois de ver as fotos, concordou com o que haviam me dito no SVO. Disse para eu levar meu tio para o Itep, onde seriam realizadas as perícias. Então eu vim”.
Durante todo esse tempo, o corpo de Ednaldo dos Santos permaneceu dentro do automóvel funerário. “No sol, em estado de decomposição. Um total descaso”, reclama José Adilson.
Depois da delegacia, ele foi até o Itep, onde lhe disseram que deveria procurar uma Unidade de Pronto Atendimento. “Procurar uma UPA pra quê? Meu tio está morto, não está doente. Não há uma unidade de informação, eles ficam empurrando de um para o outro”.
Após horas de tentativa, Adilson foi informado que o Instituto de Perícia receberia o cadáver às 14h. Contudo, até o fechamento desta matéria, ainda não havia sido atendido.
“Meu tio tem onde ser enterrado, está tudo encaminhado quanto a isso. Mas eu preciso dos documentos, do atestado de óbito, preciso saber de que ele morreu, saber se tem algum procedimento que devo seguir no sepultamento, por causa da suspeita”.
José Adilson diz ainda que tem medo de ter contraído o novo coronavírus do tio. “Eu entrei na casa, precisei pegar os documentos dele. Não tinha luva… estou em contato com o corpo aqui, assim como também o motorista da funerária. E se ele tiver, mesmo, Covid? Podemos estar colocando em risco outras pessoas, que não têm nada a ver com isso. Tenho um recém-nascido de oito dias em casa. Como vou fazer? Eu vou fazer o teste? Não fui orientado a nada”.
Autópsia verbal
O aumento no número de casos de Covid-19 mudou o processo de identificação das causas de mortes - sem suspeita de coronavírus - no Rio Grande do Norte: os corpos são submetidos a uma autópsia verbal e, em alguns casos, são liberados sem uma causa de morte definida.
Sem a autópsia tradicional, os médicos fazem uma análise externa do corpo e entrevistam familiares para determinar a causa aproximada da morte. Esse procedimento passou a ser a adotado em março pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) por recomendação do Ministério da Saúde para evitar contaminação.
Já os corpos de pessoas com suspeita de coronavírus são enterrados sem passar pelo Serviço de Verificação de Óbito. Segundo a Secretaria de Saúde, nesses casos, o médico do hospital pode colocar no atestado "causa da morte indeterminada" e, após o resultado do exame, em caso de confirmação, a família é informada e a morte entra para a estatística oficial do Estado.
Entretanto, José Adilson afirma que não foi esclarecido sequer sobre isso, porque não teve atendimento. E, no caso de Ednaldo, a situação é diferente: ele era um caso suspeito, mas sua morte não está relacionada ao vírus. “É um total descaso, meu tio está sujo, cheio de bicho. Eu só quero poder enterrar ele”.

G1-RN


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