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26/07/2018

'VIVO DAS LEMBRANÇAS DELE',DIZ AVÓ QUE PERDEU NETO DE 6 ANOS



Nesta quinta-feira (26) é comemorado o Dia dos Avós. Conheça a história de uma relação que se eternizou nos momentos do dia a dia e na música.
Cláudia Schiller diz que a saudade do neto que morreu há cinco anos não diminui (Foto: Arquivo pessoal)
No compasso das canções preferidas do pequeno Heitor Lucena, que era apaixonado por música, e da sua avó, a escritora infantil Cláudia Schiller, os dias eram mais felizes. Das brincadeiras, contações de histórias, cafunés e aventuras, a senhora de 63 anos guarda lembranças vividas com o neto que faleceu aos seis anos de idade sem diagnóstico médico preciso.
“Hoje, vivo das lembranças dele. O pequeno tinha uma força incrível e isso é o que me motiva na rotina a não desistir. Apesar do tempo, o amor que sinto por ele não diminui em nada, nem tão pouco a dor em não poder vê-lo ou abraçá-lo”, declara.
Grandes referências de amor e princípios, os avós são figuras importantes na vida de muitas pessoas e têm até data exclusiva, comemorada nesta quinta-feira, 26 de julho. Os netos, ao serem embalados com os mesmos cuidados que seus pais recebiam, ativam no imaginário dos avós uma sensação de nostalgia.
Como em muitas famílias brasileiras, Cláudia Schiller cuidava do neto durante o dia enquanto os pais trabalhavam. Mesmo não morando com a avó, Heitor costumava vê-la todos os dias. “Acompanhei meu neto em todos os momentos. Dividíamos desde as diversões, nos passeios e brincadeiras, aos momentos mais sérios como nas consultas aos médicos”. Tanto zelo na construção de uma relação tão amorosa tornou os dois ainda mais unidos.
Heitor amava música e não perdia oportunidades de dar shows cantando com sua avó. Sempre que era possível, ela tornava os desejos do garoto realidade. “Tenho muitas lembranças marcantes dele. Talvez a melhor de todas seja de uma cirurgia em que eu e os médicos entramos tocando instrumentos”, relembra. “Já que ele queria uma banda, tornamos aquele momento menos doloroso a partir do que ele amava”, explica emocionada.
Tudo aconteceu muito rápido. Cláudia estava no Rio de Janeiro em agosto de 2013, devido ao falecimento de sua mãe, quando recebeu um telefonema da filha informando que Heitor tinha sido internado com uma dor de cabeça e não tinha resistido.
Cinco anos se passaram desde o falecimento do neto, mas o amor incondicional continua estampado nas fotos de perfil das redes sociais, na pele da senhora que tatuou o nome do garoto e nas atitudes que constantemente o homenageiam.
Segundo a psicóloga especialista em luto do Grupo Vila, Rafhaela Barros, “assim como os pais, os avós também são essenciais no processo de formação de caráter. Por isso, é comum que os avós assumam papéis de referência na vida dos netos”. Como princípios básicos, a avó Cláudia repassava a honestidade, a garra de ser sempre forte e a leveza de ser continuamente gentil.
Cláudia Schiller relata que uma das coisas que mais contribuiu no processo de luto foi a terapia do luto no Morada da Paz, que funciona como uma reunião em que todos que estão passando pelo difícil momento da perda, falam de suas dores e dificuldades.
“Todos nós, que participamos da terapia, nos apoiávamos, criando laços de amizades muito bonitos. Entendíamos que nenhuma dor era maior que a outra”, destaca. “Foi muito importante para mim, um período difícil, mas que foi importante ter passado”, declara.
A psicóloga acrescenta ainda que é natural que os netos sintam a perda dos avós, ou vice-versa, principalmente se o convívio for muito próximo. No caso dos avós que participam de maneira muito intensa da vida da criança, essa dor pode ser muito grande. “À medida em que sentem que fizeram tudo o que podiam em vida, que entregaram todo o amor e se dedicaram e externaram toda a plenitude da relação, o luto pode ser um processo menos doloroso”, finaliza.
Cláudia Schiller com a filha Kika Schiller e a foto do neto (Foto: Arquivo pessoal)
G1-RN

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