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13/09/2017

EX-BICHEIRO QUE FOI CONSIDERADO CHEFE DO CRIME ORGANIZADO DO MT,PRESO NA PENITENCIÁRIA FEDERAL DE MOSSORÓ DEVERÁ RETORNAR A ESTADO DE ORIGEM



Por decisão da Justiça do RN, ex-bicheiro deveria chegar a Mato Grosso até esta quinta-feira (14).
Autoridades tratam com sigilo a volta do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro a Cuiabá. A próxima quinta-feira (14) marca o prazo máximo para o retorno estipulado pelo juiz Orlando Donato Rocha, corregedor da Penitenciária de Segurança Máxima de Mossoró (RN), onde ele está preso.
O Governo do Estado não dá detalhes sobre a transferência. De acordo com o advogado de Arcanjo, Paulo Fabrini, a falta de informações se deve ao caráter sigiloso da operação.
“Enquanto advogado, eu não tenho essas informações. Tudo foi feito a partir de uma operação sigilosa de Brasília, feito através do Departamento Penitenciário Nacional", afirmou o advogado.
"O prazo máximo determinado pelo juiz corregedor da Penitenciária Federal foi de 30 dias a contar da data que a decisão foi publicada, 15 de agosto. Quando eu liguei lá, me informaram que há transferências realizadas em 48 horas, e também transferências que levam um mês para serem feitas”, comentou Fabrini.
O retorno acontece em meio à greve dos agentes prisionais, que reivindicam melhorias na estrutura. De acordo com o presidente do Sindspen, João Batista, a vinda do ex-bicheiro dá mais ênfase às falhas estruturais das penitenciárias mato-grossenses.
“De um jeito ou de outro, o Estado terá que trazer ele de volta. Nós temos receio porque, ao longo deste tempo, o Governo deveria ter construído uma unidade adequada para poder abrigar tanto ele quanto outros presos que trabalharam com o Arcanjo no passado. O Estado não cumpriu com a sua parte, não construiu novas unidades. Ao invés disso, ficou criando puxadinhos nas unidades existentes”.
A assessoria da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) alega não possuir confirmação sobre a data do retorno. Responsabilidade do Departamento Penitenciário Nacional, a transferência é uma operação de segurança e não há comunicação com antecedência.
A reportagem tentou contato com a Justiça Federal de Mossoró, mas ninguém atendeu ao telefone.

Crime organizado
Arcanjo foi considerado o chefe do crime organizado em Mato Grosso entre a década de 80 e 90. Entre as acusações que pesam contra ele, está o assassinato do empresário Sávio Brandão, em 2002, crime pelo qual foi condenado a 19 anos de prisão.
Arcanjo foi inserido no sistema federal em agosto de 2007, quando foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), no mesmo dia da deflagração da operação “Arrego”, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que comprovou que, mesmo de dentro da PCE, ele continuava comandando o jogo do bicho.
Em abril de 2013, seguiu para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO).

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