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31/01/2017

MÃE CONTA O DRAMA DE ENTERRAR FILHO DEGOLADO NA PENITENCIÁRIA DE ALCAÇUZ



Famílias pretendem acionar a Justiça para solicitar indenizações do Estado por mortes de presidiários.
Para os parentes dos presos mortos em Alcaçuz, o Estado sabia do conflito iminente e não o impediu a rebelião.
O massacre ocorrido na penitenciária de Alcaçuz no dia 14 de janeiro, que deixou pelo menos 26 mortos, expôs falhas no sistema penitenciário, a dor da perda e questionamentos das famílias das vítimas.  A Agência Brasil ouviu histórias de quem perdeu filhos, maridos, primos e amigos. Um dos dramas que os parentes enfrentam é enterrar os corpos degolados.
Cansada e desgastada, a dona de casa Eliene Pereira, 45 anos, de Santa Cruz, município a cerca de 120 km de Natal, enterrou o corpo do filho no dia 20 de janeiro. Ela precisou ir à capital potiguar por três dias seguidos para reconhecer Diego Felipe Pereira da Silva, 25 anos, e liberar o corpo no Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). O detento foi degolado durante a rebelião e recomendaram que a mãe aguardasse as buscas pela cabeça. Na sexta-feira, ela recebeu uma ligação comunicando a mudança.
“Eu fui, quando cheguei lá reconheci o corpo mesmo, porque tinha visto só por imagem. Levei na funerária, abriram o saco, aí conheci que era ele mesmo, meu menino. Sem a cabeça. Ela [a funcionária do ITEP] mandou trazer eu 'truxe' sem a cabeça. Fazer o quê?”, conta. “Era horrível o corpo do meu filho, fiquei muito comovida. Mas enquanto eu não visse eu não acreditava. Queria ver ele, ver as pernas, os braços. Mesmo que não tivesse a cabeça, mas eu queria ver a realidade”.
Por causa do estado avançado de decomposição, a funerária recomendou a Eliene que não realizasse o velório e enterrasse o corpo o quanto antes, sem despedida, à noite, sem a família e os amigos. Mesmo assim, a mãe levou o filho à sua casa pela úlitma vez. “Meu filho passou um ano fora. Está fazendo justamente hoje, um ano e um mês. Ia sair em março”, disse ela há uma semana. “Eles me deram o caixão vedado todinho e colocaram um produto. Até falaram 'não sei como a senhora vai aguentar passar a noite com ele dentro de casa'. Eu disse 'pode deixar, se ele tiver podre como for eu quero que ele passe a noite em casa'”.
No dia seguinte, nas primeiras horas da manhã, Eliene levou o corpo de Diego ao cemitério. Rodeada de curiosos, Eliene pediu para ver o filho pela última vez antes de enterrar o corpo. Não havia mortalha, roupa, nada. O saco do necrotério encobria o corpo. “[O caixão] passou uns 5 minutos aberto. Comecei a endoidecer, puxando ele de dentro do saco. Aí pronto, fecharam e enterraram. É muito difícil enterrar um filho sem a cabeça."
Outras famílias ainda tinham esperança de que a cabeça fosse encontrada, e adiaram o enterro. A esposa do detento M.P.S.N., morto aos 22 anos, que preferiu manter o anonimato dela e do marido, também não viu o corpo, só imagens. “É uma decisão que tem de ser tomada por toda a família. Ele tem uma família que o amava muito, assim como eu também o amo muito. Eu não queria que fosse dessa maneira, mas acho que o sofrimento será maior se não sepultar”, disse a universitária.
Com a voz fraca, pausada, a estudante prefere falar do futuro com que o casal sonhou. Namorados desde a adolescência, ela tentava mostrar a M.P. que ele deveria deixar a delinquência. “Quando eu o conheci, voltei a estudar para incentivar. Comecei minha faculdade. Isso deixava ele muito feliz, era uma força que eu dava para ele, estudando e trabalhando, mostrando para ele que tem como você viver dignamente sem querer o que não é seu”.
O marido dela estava preso por dois crimes: o roubo de uma moto, com pena no semiaberto. Depois, ele foi preso novamente por subtrair um celular e migrou para o regime fechado. Há três anos estava preso em Alcaçuz, dos quais dois anos e cinco meses no Pavilhão 4 – onde ocorreu o massacre. Sairia no fim do ano, segundo a esposa. “Já estava tudo planejado pela gente, a família, para quando ele saísse. Perto da faculdade que eu faço tem uma escola de Ensino de Jovens e Adultos. A gente já tinha combinado que ele voltaria a estudar lá. Já tinha falado com amigos para conseguir um emprego para ele”, lembra. 
Agora, a viúva diz que o próprio futuro está incerto. “Tudo o que eu planejava era para viver com ele. O concurso que eu pensava em passar fora do Rio Grande do Norte era para ir com ele. Não há mais para quê seguir esses planos. Minha cabeça está muito confusa”.

“Tenho que ter direitos”
Além da dor da perda, todos reclamam do que chamam de omissão do Estado, de uma possível facilitação do ataque e do julgamento da sociedade. Muitas famílias relatam que entre os mortos no presídio nem todos tinham ligação com a facção Sindicato do Crime do RN, que controla o Pavilhão 4 e é rival do Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Nem todos que morreram eram integrantes dessa facção criminosa. Muitos só estavam ali cumprindo sua pena para sair e lutar contra todo esse sistema e tentar se recuperar. Porque a mídia [...]eu tinha escolhido não falar sobre isso, porque eles não divulgam o que a gente diz, só o que a sociedade quer ver. Porque, para todo mundo, quem morreu ali foram marginais, bandidos. Bandido bom é bandido morto. Mas desde que esse bandido não seja seu irmão, seu marido, seu primo”, disse a esposa de M.P.
A estudante também questiona as circunstâncias do ataque, porque desde novembro o marido havia contado que tinha medo. Para ela, as mortes poderiam ter sido evitadas. “Quando aconteceu o massacre em Manaus foi quando eu fiquei com mais medo e pedi para ele sair mesmo. Ele dizia 'mas amor, eu não sou de nada disso'. 'Mas quando eles vierem não vão perguntar quem é e quem não é', disse para ele. "Aí ele falou que ia pensar. Quando pediu [a transferência] não era mais autorizado ninguém sair”. A viúva disse que a conversa foi no dia 8 de março. 
A dona de casa Eliene também questiona por que o filho foi transferido para Alcaçuz. Diego foi preso pelo furto de uma bolsa. Cumpriu um ano na cadeia de Santa Cruz até ganhar o direito do semiaberto. Ele passou três noites dormindo no centro de detenção; na quarta, anunciou que ficaria em casa para, segundo a mãe, ficar perto da família. “Eu insistia, mas ele é meio teimoso. Quando foi um mês vieram pegar ele. Aí colocaram ele logo num canto daquele, perigoso, Alcaçuz. Porque eu acho assim, meu filho nunca vendeu droga, nunca matou gente, era um menino do semiaberto. Só porque não foi dormir botaram junto de uma facção daquela. Meu filho não tinha nenhuma facção. Meu filho era usuário [de droga], somente. Eu achei muito errado, muito”. 
Diego também avisava para a mãe há meses que a situação estava tensa e havia ameaça de invasão do prédio por membros do PCC. “Ele estava dizendo que estava muito perigoso: 'peça para mim voltar pro [pavilhão] 2'. Ele estava lá e botaram pro 4. Eu disse: 'termina aí tua cadeia nesse pavilhão'. Ele disse: 'mãe, tá a maior bagunça aqui, o PCC quer invadir e matar a gente. Chore por eu (sic), porque eu posso não chegar em casa vivo'”, narra Eliene. 

Investigação 
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte investiga como começou o massacre, e como os presos do Pavilhão 5 - presídio Rogério Coutinho Madruga, - conseguiram chegar até o Pavilhão 4. Para as famílias, o Estado já sabia do conflito iminente e não o impediu. “Com certeza o governo é responsável. Lá era para ter segurança. Meu filho não foi vivo para lá? Era para ter voltado vivo. E o governo era para ter garantido. Ele não tinha nada a ver com as brigas lá. Ele não tava preso? Eles tavam tudo solto lá, igual que fosse no meio da rua. As celas de lá não tinham portão, nada. Não era para ser tudo dentro das grades, fechadinho? E o total de presos era muito grande lá”, argumenta a dona de casa de Santa Cruz. 
"Que órgão eu procuro, a senhora sabe?" - perguntou a dona de casa à repórter. Sem saber quais são seus direitos, mas decidida a lutar por eles, Eliene tentará ser indenizada. “Foi um filho que eu perdi. Meu filho. É um pedaço de mim meu filho. Tenho que ter direitos”.

Sumaia Villela, Agência Brasil

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15 comentários:

  1. Que matéria ridícula! Todos os presos devem ser mortos imediatamente, essa conversa de vagabunda de bandido não faz ninguém chorar. Manda uma cabeça dessa pra cá que eu jogo é bola! Essas vadias que dormem com esses bandidos adoram ganhar um celular novo recém roubado de um trabalhador, adoram curtir a lombra da droga. As mães sempre encobrem e negam os erros dos filhos. Sabe onde está a cabeça do seu filho? Tá dentro de um esgoto cheio de merda sua puta! Suas palavras nessa reportagem me fizeram dar risada e abriram meu apetite. almocei muito bem! rsrsrsrs

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    1. Falou tudo.

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    2. Senhor anônimo
      Vc tripudia com grande felicidade em cima da dor de uma esposa,de uma mãe,de uma família...Lembre-se q vc tbm tem família e nenhum de nós estamos livres de passar por uma situação dessa,então q Deus venha ter misericórdia de vc e dos seus por essas suas palavras.

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    3. O melhor da vida consiste no nosso futuro, porque agora no nosso presente,podemos xingar, magoar, denegrir e ser desumano com a dor do outro. Mas a melhor parte é o amanhã! Temos parentes, irmãos, pai, mãe, tios e se não temos filhos um dia poderemos ter. A vida gosta de brincar com os nossos valores, principalmente com os nossos atos e palavras ditas. Hoje podemos tripudiar das dores desses familiares, afinal a dor desse momento não é nossa, é deles, não é? Amanhã o dia pode ser diferente, poderemos estar no mesmo lugar e sentindo a mesma dor, até mesmo em situações diferentes. Quem sabe até por um engano? Por ter feito algo? Ou em uma briga de trânsito? Ou o mais comum, por ser um "criminoso"? Como? Dirigindo alcoolizado mesmo sabendo que não é permitido,que existem leis que proíbem, que isso é transgredir as leis e por esse ato vitimizar um trabalhador um pai de família que estava voltando do trabalho, tornando-se assim um "assassino", criminoso. E não mais que por ironia do destino, poderemos está dentro de uma prisão, já que ao pegarmos volante, embriagado estaremos assumindo a (des)responsabilidade por vidas de outras pessoas que trafegam em avenidas, ruas. E mais uma vez o destino que gosta de "brincar" principalmente com os nossos valores e palavras, nos deparamos dentro de uma prisão. Já que aqui como em várias outras regiões, não existem cadeias provisórias para aguardar o julgamento. Poderemos está dentro de um presídio aguardando o julgamento, com vários outros detentos que cometeram inúmeras transgressões, roubos,tráficos, assassinatos. E mais uma vez lá se vem o abençoado destino, uma rebelião do tipo que aconteceu em alcaçuz ocorre. E agora? Eu que nunca roubei nada, que sou trabalhador, mas Matei alguém sem querer só porque tomei umas cervejinhas, umas cachacinhas a mais, estarei eu em meio uma rebelião dessas? Por que? Agora é a minha cabeça que rola, mesmo não sendo pertencente à nenhuma facção, estou ali aguardando se vou ser inocentado ou não, já que não tinha dinheiro suficiente para pagar um bom advogado para aguardar o julgamento em liberdade. Mas para a sociedade todos que estão cumprindo pena em presídio, até aqueles que estão aguardando julgamento,merecem morrer. O problema maior é o nosso erro de achar que nunca nada de ruim poderá acontecer conosco. Que nunca iremos errar, afinal quem sempre erra é o outro. Não é mesmo? E por fim o amanhã é algo inesperado ninguém sabe o que pode vir acontecer. Por esse motivo, nunca nos colocamos no lugar do outro, se eu estou bem os outros não me importam.

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    4. Belas palavras.

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    5. Parabéns por sua opinião e preocupação com o dia de amanhã no q diz respeito a julgarmos as fraquezas do ser humano.
      Continue assim com seu bom coração em se preocupar a dor do próximo.
      Deus abençoe grandemente vc e sua família.

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  2. Nada de indenização, um bando de vagabundo desses, roubaram pais de familia, já mataram inocentes. Mereceram esse fim!! E as familias sei que é dificil, meus pesames, mas o fim de todo vagabundo é pra ser esse.

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  3. Meu filho não é bandido. Foi parar lá porque? Trabalhar honestamente eles num quis. Queria tá roubado pai de família que se lasca pra possuir as coisas. Uma dor pra família é sim, ninguém quer perder um ente_ Querido de forma cruel pior. Mas nem de exemplo serve. Qndo sai da cadeia vai fazer ruindade de novo. Que culpa tem o estado deles roubar,matar. Ai eles mesmo se matam e a culpa é do estado. Pelo o amor de Deus kkk que eles se matem tudinho.

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  4. Nada de indenização, magote de vagabundos !!!

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  5. Mas conheço pessoas que foram presos por vingar um filho um irmão e nunca mexeram com nada de errado. Queria com o perdão da palavra que o pai de vocês estivessem nessa situação. Por proteger um irmão seu . Deus tá vendo tudo e vocês não passam de terror de internet , se escondendo atrás de um computador .

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    1. Ninguém faz justiça matando ninguém, pois sendo o mesmo bandido!! Deixe a justiça por conta de Deus, Ele sim é justo. Por tanto se matou pra fazer justiça, é bandido do mesmo jeito.

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  6. Ohhh meu deus vcs fala como se num fosse ninguem pense se vcs q tivesse num canto dessa Mae num canto da família dele como q estava e quando tiver comentando algum pense mais . Q deus a tenha todos eles ��

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  7. Rapaz, é uma lenga lenga de que não tem chance. Meu amigo, o desemprego alastra todo o país. Mesmo assim, tem muita gente dando o jeito que pode pra viver com dignidade. Muita gente com qualificação profissional se submetendo a empregos abaixo de suas competencias, mas vivendo honestamente! Esses bandidos que tão se matando ali dentro não procuraram e nunca procurarão nada assim. Agora a culpa é do próprio estado, que prega esse sistema de "reabilitação", que na verdade é so pra reduzir os gastos com esses animais, jogando de volta na sociedade, pra fazer a mesma coisa. Qual a contribuição que essa escória da na sociedade? Contribuição nenhuma! Pelo contrario, a gente que paga a estadia deles! E agora temos que pagar o remorso da familia. Tenha dó. E as familias que eles destruiram? E os pais e filhos que mataram, roubaram, fizeram e aconteceram? Sinceramente, eu espero que vá tudo pro mesmo buraco. Esses bandidos e as familias. Que corte logo o mal pela raiz!

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  8. Vagabundo tem mais é que se fudeu mesmo... Só achei ruim pq foram poucos.. Poderia ter morrido mais da mesma forma...

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  9. Deveria derrubar a penitenciária Mario negócio com todos dentro.

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